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CASARÕES-FANTASMA NO RECIFE
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Jornal do Commercio em 04/06/06 |
ROSTAND PARAÍSO
Não é sobre essas crendices e assombrações que quero, agora, falar. Nem sobre os casarões que, no seu interior, supostamente abrigam almas do outro mundo. É sobre os casarões com que nos defrontamos – a cada dia em número maior – nas ruas do Recife e que dão, a quem passa, a idéia de completo abandono, de criminosa ruína e de desmoronamento iminente. Nesse aspecto, o Recife é rico. A cada dia mais rico.
Entre os muitos casarões-fantasma do Recife, o primeiro que me vem à mente é o do Pátio de Santa Cruz, esquina da Gervásio Pires com a Barão de São Borja. Nos meus tempos de rapaz, ali funcionou um educandário oficial, o Grupo Escolar Manoel Borba. Defronte ao Posto de Saúde Gouveia de Barros. Diferentemente do Posto, que ainda lá se encontra, o grupo escolar foi transferido para outras áreas, ficando aquele edifício desocupado durante anos. Desde a gestão de José do Rego Maciel, como prefeito do Recife, ali funcionava a Associação dos Ex-Combatentes do Estado de Pernambuco. O velho prédio está, hoje, no mais completo e deplorável abandono. Ao visitá-lo, há 4 anos, assim me expressei, em artigos escritos para este JC: Noutros painéis, os feitos da Marinha e da Força Aérea Brasileira, registro de uma gloriosa campanha que tanto nos dignifica. Subo, temeroso, a escadaria em ruínas. Vou ao primeiro andar, onde funciona, quase ao ar livre – tal o estado do telhado e de suas janelas, quebradas, sem vidraças, permanentemente abertas, sem nada proteger do vento e da chuva – a Associação Brasileira dos Integrantes do Batalhão Suez em Pernambuco, parte da Força Internacional da Paz da ONU, outro importante episódio da nossa história, que merece, também, ser relembrado e exaltado para as gerações atuais e futuras. Vejo, com tristeza, o esquecimento e a omissão de nossas autoridades na preservação desse passado, numa evidente demonstração de que a memória do brasileiro é curta. Noutros países, o prédio, devidamente restaurado, seria motivo de visitação pública por parte daqueles, estudantes e professores, a quem cabe conhecer e preservar nossa memória.”
Passados quase quatro anos, vejo que de nada adiantaram aqueles artigos, bem como os escritos, com o mesmo objetivo, por várias outras pessoas. O prédio, visivelmente mais deteriorado, ameaçando ruir a qualquer momento, não mereceu nenhuma atenção das autoridades municipais. Parece-me, até, que elas só fizeram atrapalhar algumas tentativas de particulares no sentido de restaurá-lo. Lembro-me das palavras com que terminei aquele artigo e que continuam bem atuais:
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