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MUITA VEROSSIMILHANÇA
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A Câmara dos Deputados nunca viu nada igual. O deputado que presidia a sessão diz que incorporou um espírito. Na Câmara dos Deputados de Brasília, uma sessão solene homenageia o bicentenário de Allan Kardec, considerado o fundador da doutrina espírita. Quem encerra a sessão é o deputado petista da Bahia, Luiz Carlos Bassuma. “Nós espíritas temos o hábito de encerrarmos e iniciarmos uma atividade humana fazendo uma prece”, diz Bassuma aos presentes. O deputado cruza as mãos para iniciar a oração. A câmera de TV mostra o plenário e dez segundos depois volta a filmar o deputado. Bassuma está curvado sobre o microfone. No início da oração sua voz é firme: “Que a paz de Jesus Cristo possa preencher cada espaço do nosso corpo.” Nesse ponto começa uma transformação. A voz vai ficando rouca e a mão direita faz um movimento que parece involuntário. “Eu sinto fortemente um envolvimento espiritual, um campo de energia muito positivo que já senti várias vezes”, explicou, depois do ocorrido, o deputado federal. “Allan Kardec, um espírito que teve essa missão luminosa de nos trazer a doutrina espírita”, diz Bassuma, continuando a oração. “Muda a voz e a mão mexe. Eu sei, eu tenho consciência, mas não sou eu que faço isso. É uma característica do espírito, não minha”, explicou Bassuma. Os traços do rosto do deputado também mudam. A voz agora é a de um velho. “Em nome de Jesus, nós agradecemos profundamente”, continuava o deputado, para o espanto dos presentes à Câmara. De quem seria a mensagem? “Quando o espírito quiser se identificar , ele se identifica. Até hoje não aconteceu. Nessa comunicação do Congresso, ele também não se identificou. Então, eu não sei quem é”, disse, mais tarde, Bassuma. A oração dura pouco mais de três minutos. O que aconteceu afinal? O vice-presidente da Associação de Psiquiatria do Rio de Janeiro, Marcos Gebara, dá uma explicação médica ao episódio: “Eu acredito que ele tenha ficado em um estado de transe e o que ele disse é dele.” O deputado é espírita kardecista há 20 anos e freqüenta um centro em Salvador. Ele se diz um médium, e que esta foi a décima manifestação do espírito só em 2004, sempre em momentos de prece. Será que os médicos vêm nisso algum problema psiquiátrico? “A pessoa muitas vezes perde a noção do todo do ambiente e se foca exclusivamente naquela situação. Depois ela não se lembra daquilo. Quando isso acontece dentro de um contexto religioso ou cultural onde esse tipo de comportamento é integrado, faz parte do ritual religioso, faz parte da crença do indivíduo, isso não pode ser considerado um transtorno”, explicou Gebara. Para o deputado Bassuma, é tudo muito natural: “Eu confio em Deus, confio nos bons espíritos. Se a coisa está acontecendo ali é porque deve ter algum fim positivo. Qual é, eu não sei, não compete a mim saber.”
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